Matriz | de um agora que se espraia

"Matriz | de um agora que se espraia" consiste numa ação performativa que dá resultado a um objeto expositivo, isto é, o público assiste à construção, composição e organização daquilo que se vai a converter num dispositivo de visita e contemplação.
À semelhança dos meus anteriores e mais recentes projetos, o processo de criação inicia-se através de uma série de caminhadas e derivas (sítios diversos entre a casualidade, programação e rotina), onde serão recolhidos e respigados objectos e outros materiais. A seleção destes visa remeter a uma noção do tempo em desgaste e memória, neste sentido espéculo o surgimento de cordas, pregos, chaves, clipes ou outros para já não esperáveis.
Tal como o próprio título sugere, os materiais emergem tendo em consideração tornarem-se matrizes, recorrendo a tinta sobre papel, cada objeto será usado como carimbo que marca de si uma presença do agora. Em suma, as ações - ou a performance - consiste exatamente nas transcrições do objecto sobre uma base de sustentação, neste caso papel.
Os materiais de registo vão ser pensados e compostos tendo em atenção métodos de reaproveitamento e reciclagem. Para o papel, a ser gerado em residência artística no Campus Paulo Cunha silva, utilizarei antigos catálogos e agendas. A tinta será essencialmente a partir da reutilização de Iodopovidona (mais conhecido por betadine) que esteja fora do prazo medicamente sugerido (visto que será necessário uma quantidade significativa, irei fazer um pedido público).
Em estúdio irei, em conjunto com toda a equipa artística criar diferentes focos de e no trabalho sobre o movimento/gesto do corpo em torno da ação de carimbar/marcar/registar.
Em suma, para além deste projecto reflectir naturalmente sobre questões ambientais, estou também interessado na alimentação de momentos ritualísticos, cerimoniais e de atenção, cujo tempo é visto e desejado como presença viva, pulsátil, cósmica, mutável, de carácter espiral e não assente na qualidade da velocidade ou andamento, mas sim no propósito circunstante que de si e por si também concerne o acaso, o erro e o inesperado.

Equipa:
Performance/exposição
Concepção, performance e ideia: Flávio Rodrigues
Apoio à performance (consultoria artística): REZM ORAH
Apoio à concepção visual (consultoria artística): Eneida Lombe Tavares
Registo de vídeo: Andrea Azevedo
Registo fotográfico: Bruno Batista

Catálogo/publicação
Design: Vasco Baptista
Fotografias: Bruno Batista
Textos: #1 Vera Mota, #2 Né Barros, #3Telma João Santos #4 Ana Rocha
Entrevista: de Susana Chiocca