Título: Hidrografias | cinco ações para um território em transformação

Sinopse:

Hidrografias é um percurso performativo para o espaço público concebido especificamente para Santa Maria da Feira. Ao longo de um trajeto realizado a pé, o público é convidado a encontrar cinco ações performativas de curta duração, desenvolvidas por cinco artistas distintos, unidos por uma reflexão comum em torno da água.

Partindo da relação histórica do território com os seus rios, ribeiras e paisagens hídricas, o projeto propõe uma cartografia sensível onde a água surge simultaneamente como recurso natural, memória coletiva, elemento vital e matéria em risco. Cada ação apresenta uma perspetiva singular sobre este tema, construindo um conjunto de experiências que oscilam entre o poético, o político, o ecológico e o simbólico.

Num tempo marcado pelas alterações climáticas e pela crescente fragilidade dos recursos naturais, Hidrografias convida o público a desacelerar, caminhar e observar o território através de novas formas de atenção. Não se visa representar a água, o projeto procura ativar uma reflexão coletiva sobre a sua presença, a sua importância e a possibilidade inquietante da sua ausência.

Através da performance arte, da caminhada e da relação direta com a cidade, Hidrografias transforma o espaço público num lugar de encontro, imaginação e consciência ambiental, criando uma experiência artística que liga corpos, paisagens e futuros possíveis.


Nota conceptual e artística

Hidrografias é um projeto de criação para o espaço público que reúne cinco artistas de diferentes áreas da performance contemporânea em torno de uma questão comum: a água enquanto elemento vital, memória coletiva, recurso natural e matéria de reflexão para o presente e para o futuro.

O projeto parte da consciência de que a água ocupa hoje um lugar central nos debates ambientais, sociais e políticos à escala global. As alterações climáticas, os períodos de seca cada vez mais frequentes e a crescente pressão sobre os recursos naturais obrigam-nos a reconsiderar a forma como habitamos o território e nos relacionamos com aquilo que sustenta a vida. Contudo, mais do que construir um discurso ilustrativo ou didático sobre estas problemáticas, interessa-nos aproximar a reflexão através da experiência artística, da subjetividade e da criação poética.

Tomando Santa Maria da Feira como território de observação e de ação, Hidrografias propõe uma leitura simultaneamente local e universal. Se, por um lado, o projeto dialoga com a presença histórica da água nas paisagens, rios, ribeiras e ecossistemas da região, por outro procura convocar questões que ultrapassam o contexto específico da cidade e dizem respeito ao mundo contemporâneo como um todo.

A proposta assume a forma de um percurso performativo composto por cinco ações autónomas, concebidas e apresentadas por cinco artistas distintos. Cada ação constitui uma resposta singular ao tema proposto, revelando diferentes linguagens, sensibilidades e modos de pensar a relação entre corpo, território e água. Apesar da autonomia de cada proposta, todas partilham uma mesma intenção: criar espaços de atenção, imaginação e escuta perante um elemento que muitas vezes permanece invisível precisamente por ser considerado garantido.

O público é convidado a deslocar-se a pé entre os diferentes momentos performativos, acompanhando uma sequência de ações breves, com duração máxima aproximada de quinze minutos cada. O percurso torna-se assim parte integrante da obra, permitindo uma experiência de descoberta gradual da cidade e das suas paisagens. Entre cada ação existe tempo para caminhar, observar e relacionar os diferentes acontecimentos, transformando a deslocação numa componente fundamental da experiência artística.

Antes da apresentação pública, os artistas realizarão uma curta residência de pesquisa em Santa Maria da Feira. Este período permitirá conhecer o território, percorrer diferentes lugares, recolher referências e desenvolver propostas específicas para os contextos escolhidos. As ações serão concebidas em diálogo direto com os espaços que as acolhem, assumindo uma natureza site specific que privilegia a relação sensível com o lugar.

Hidrografias propõe, assim, uma cartografia poética construída através de gestos efémeros, corpos em presença e encontros no espaço público. Mais do que falar sobre a água, procura criar condições para a sentir, imaginar e repensar. Entre atenção e inquietação, entre contemplação e consciência, o projeto convida o público a refletir sobre aquilo que nos liga aos territórios que habitamos e sobre a responsabilidade coletiva de cuidar dos recursos que tornam possível a vida.


Justificação da relação da proposta com o espaço público

Hidrografias foi concebido especificamente para o espaço público, entendendo-o naturalemte como local de apresentação, mas elementarmente como matéria integrante da própria criação. O projeto nasce da vontade de promover uma experiência artística acessível, próxima e integrada na vida quotidiana da cidade, convidando o público a percorrer Santa Maria da Feira através de um conjunto de ações performativas realizadas em diferentes lugares.

A proposta valoriza a escala humana e a relação direta com as comunidades, criando momentos de encontro que surgem de forma subtil e integrada no território. Em vez de ocupar ou transformar radicalmente os espaços, as performances procuram escutá-los, revelar as suas particularidades e estabelecer um diálogo sensível com as pessoas que os habitam e atravessam diariamente.

O percurso proposto incentiva a deslocação a pé, favorecendo uma relação mais atenta com a cidade, os seus ritmos, as suas paisagens e os seus recursos naturais. Esta dimensão é particularmente importante num projeto que toma a água como tema central, convocando uma reflexão sobre a forma como nos relacionamos com aquilo que sustenta a vida e frequentemente passa despercebido.

Existe igualmente uma preocupação constante com o cuidado e o respeito pelo espaço público. As ações serão de natureza efémera, não invasiva e sem impacto físico nos locais de apresentação. A proposta assenta numa ética de atenção, gentileza e responsabilidade, procurando construir experiências que acrescentem significado ao território sem o alterar ou danificar.

De certa forma, Hidrografias é também uma performance sobre a atenção. Atenção ao lugar, às pessoas, aos recursos naturais e às pequenas relações que ligam uma comunidade ao território que habita. É nesse exercício de observação, cuidado e proximidade que a proposta encontra a sua razão de existir no espaço público.



Biografias:

Flávio Rodrigues:

Flávio Rodrigues nasceu em 1984, em Arcozelo (Vila Nova de Gaia). É artista e, desde 2006, desenvolve um trabalho situado na interseção entre o desenho, o gesto, a performance arte, a instalação e a escultura, concebendo estes meios como territórios férteis de ação e pensamento.
As suas propostas são maioritariamente de natureza minimalista, analógica e cerimonial. Recorrendo frequentemente à caminhada como gesto fundacional, os processos que ativa conduzem ao encontro de texturas, objetos, sonoridades e outras paisagens possíveis, que se revelam de forma processual e experimental.

O seu percurso artístico inicia-se em 1992, com a professora e artista Maria Alexandrina Alves da Costa, em Vila Nova de Gaia, através da dança e do desenho. Em 2003, ingressa na formação do Balleteatro Escola Profissional, instituição à qual permanece ligado como artista associado. Neste contexto, orienta laboratórios de criação, performance e ação no espaço público, colaborando também como co-curador dos programas Corpo + Cidade e Extemporânea.

Desde o seu primeiro projeto autoral, em 2006, tem apresentado criações em diversos contextos e colaborações, incluindo o Festival da Fábrica / Teatro Helena Sá Costa (Porto), Galeria Appleton (Lisboa), Mandala Festival (Wrocław, Polónia), Acción Spring(t) (Madrid, Espanha), Sofia Underground Festival / Toplo Centrala (Sofia, Bulgária), FIDANC/CDCE (Évora), Starptelpa/Kino Bize (Riga, Letónia), Arte Total (Braga), Live Art Ireland (irlanda), :DDDKunsHouse (Yerevan, Alemanha) e Lake Studios (Berlim, Alemanha),.

Participou em várias residências artísticas, entre as quais "Reclamar Tempo – primeira edição", nos Estúdios Campus PCS (Porto); "Projeto Tijolo", pelas Oficinas do Convento (Montemor-o-Novo); Museu Bordalo Pinheiro (Lisboa); Les Repérages (Lille e Rio de Janeiro); e ADA – Artistic Dynamic Association (Viena, Áustria). Em 2024 foi artista representado pela Bienal de Cerveira. Em 2026 desenvolveu um projeto processual em residência de criação e pesquisa na CACAU Cultural & Roça São João, em São Tomé e Príncipe.

O vídeo-arte-performance Ausblenden, parte processual iniciada em 2021 no âmbito do projeto Laivos | ante improvisos e ressonâncias, foi apresentado em festivais e programas em Portugal, Alemanha, Letónia, Argentina, Grécia e Brasil.

Paralelamente ao desenvolvimento dos seus próprios projetos, tem colaborado regularmente como figurinista, cenógrafo, performer (entre 2006 e 2016) e designer sonoro. Estas colaborações estendem-se a diversos criadores e companhias nas áreas da dança, teatro, cinema, circo e performance arte.

Em 2022 apresentou uma conferência sobre o seu percurso e processo criativo no Cinema Passos Manuel, organizada pela Faculdade de Filosofia da Universidade do Porto em parceria com o Balleteatro. Dessa ocasião resultaram três desenhos autobiográficos, posteriormente publicados no livro Performances no Contemporâneo, de Né Barros e Eugénia Vilela.

Em 2026, foi um dos artistas selecionados para a residência de investigação e criação do projeto Amongst Others, Nature, integrada no Bergen International Performance Festival, desenvolvida em Skageneset (Manger), Laksevåg, Møhlenpris e no centro da cidade de Bergen, Noruega.

Website: https://www.flaviorodrigues.info/

Instagram: https://www.instagram.com/_flaviorodrigues_/


Telma João Santos:

Artista-investigadora, doutorada em Matemática e em Artes Performativas, é Professora Adjunta Convidada no Departamento de Comunicação e Arte do Instituto Politécnico de Viseu. Desenvolve performances a solo e em colaboração desde 2006, com um percurso em torno da multidimensionalidade das formas de auto-re-apresentação, intersectando discurso matemático e análise de movimento – entre 2025 e 2027 desenvolve o projeto documental e performativo Entre a Luta e o Luto, a estrear em Abril de 2027. Participa como investigadora em processos de criação de vários artistas, como Flávio Rodrigues, Bruno Senune, Beatriz Valentim, David Marques, entre outros, com publicações em revistas nacionais e internacionais, para muitas das quais é também reviewer. Escreveu ainda o livro On Performance Art, publicado pela Ethics International Press.

Website: https://www.telmajoaosantos.com/

Instagram: https://www.instagram.com/telmajoaosantos/


Olana Light:

Olana Light é uma artista multidisciplinar sediada em Portsmouth, Hampshire, Reino Unido, cuja prática abrange escultura, performance e imagem em movimento. Através do seu trabalho, explora a relação intrincada entre os seres humanos e o mundo natural, investigando temas como pertença, identidade e interligação ecológica. Os seus projetos convidam o público a considerar a humanidade como parte integrante da natureza, questionando as divisões entre indivíduo, sociedade e ambiente.

Concluiu o Mestrado em Goldsmiths, University of London (2020), e a Licenciatura na Southampton Solent University (2017). Tem apresentado o seu trabalho em diversas exposições no Reino Unido e internacionalmente, destacando-se as exposições individuais Let It Breathe, Hidden Wardrobe e We Are Not Ourselves.

O seu percurso tem sido reconhecido através de vários prémios e encomendas artísticas, entre os quais o Bute Festival Thameslink Award (2024), o Every Breath We Take Award (2024), o CAS Emerging Sculptors Award (2023) e a comissão para painel publicitário da Southampton City Gallery (2023).

Participou em residências artísticas na Escócia, Tenerife, Grécia e Reino Unido, tendo o seu trabalho sido igualmente destacado em publicações como Ludvig Rage, Inside Artist e Trebuchet.

Website: https://www.olanalight.com/

Instagram: https://www.instagram.com/olanalight/


Sara Anjo

Sara Anjo (PT, 1982), natural do Funchal – Ilha da Madeira, é artista e coreógrafa cuja prática se situa entre dança, som e paisagem. A sua pesquisa parte de ações como respirar, caminhar e escutar, entendidas como gestos coreográficos e políticos.

A sua metodologia cruza composição coreográfica, escrita de partituras e práticas de deslocamento da perceção. Um eixo central do seu trabalho é o conceito de teatro sónico, onde o som atua como matéria estrutural na construção do espaço e na transformação da perceção do espectador.

Criou obras para palco sobre a paisagem, como Em Forma de Árvore (2016), Sacro (2018) e Ilhas — uma constelação (2020–23), assim como projetos de caminhadas performativas, como Traça | 12 partituras para Respirar, Caminhar e Parar e Caminha para um Lugar de Força. Desenvolve também trabalho para a infância e publicações ligadas à notação de movimento, concebidas como dispositivos de atenção e resistência poética.

Tem mestrAdo em Coreografia pela DAS Graduate School e artista associada da Agência 25.

Website: https://www.saraanjo.com/

Instagram: https://www.instagram.com/saraanjoo/


Ali Ferreira

Ali Ferreira é artista, performer e ativista, com base no Porto, desenvolvendo o seu trabalho sob o enquadramento de A_political body. A sua prática situa-se na intersecção entre a performance arte, o artivismo e a facilitação cultural.

O corpo — corpo, corpa, corpe — constitui o principal instrumento e campo de investigação do seu trabalho. Inspirando-se no Manifesto Ciborgue de Donna Haraway, aborda o corpo não como uma entidade separada da natureza ou da tecnologia, mas como uma condição híbrida, permanentemente entrelaçada com o ambiente, o território e os sistemas de poder que moldam ambos.

Os seus projetos independentes receberam apoio da Fundação Calouste Gulbenkian, da Câmara Municipal do Porto e do programa Shuttle. O seu trabalho foi apresentado internacionalmente em cidades como Porto, Barcelona, Tbilisi e em diferentes contextos no Canadá.

A sua prática dialoga com a estética do performativo de Erika Fischer-Lichte, com as abordagens feministas e artivistas de Katy Deepwell e com a reflexão de Eugénia Vilela sobre corpo, resistência e abandono. Estas referências não funcionam como mero enquadramento teórico, mas como presenças vivas que informam a forma como cria espaços de encontro, partilha e experiência coletiva.

Instagram: https://www.instagram.com/desassossegome/



Proposta preliminar de ações de mediação associadas ao processo criativo

As ações de mediação de Hidrografias serão desenvolvidas durante o período de residência artística que antecede a apresentação pública do projeto.

Partindo da natureza processual da proposta, pretende-se criar momentos de aproximação entre os artistas e o território através da observação, da caminhada e do contacto com diferentes contextos da cidade. A residência será entendida não apenas como um período de criação, mas também como um tempo de escuta e reconhecimento do lugar.

No final da residência, prevê-se a realização de um encontro informal aberto à comunidade, no qual os artistas poderão partilhar referências, inquietações, metodologias de trabalho e algumas das questões que atravessaram o processo criativo. Este momento pretende criar um espaço de diálogo horizontal, permitindo que o público conheça as motivações do projeto antes da sua apresentação no contexto do festival.

Mais do que transmitir conteúdos fechados, interessa promover uma conversa em torno da água enquanto elemento natural, cultural e simbólico, bem como refletir sobre o papel da arte na construção de novas formas de atenção ao território.

A proposta de mediação procura, assim, privilegiar a proximidade, a escuta e a troca de experiências, entendendo a criação artística como um processo aberto ao encontro com as pessoas e com os lugares que a tornam possível.



Parcerias de residência e/ou coprodução confirmadas ou em negociação

Neste momento, Hidrografias está a ser concebido especificamente para o contexto do Imaginarius 2027 e para a sua relação com o território de Santa Maria da Feira. Não existem, para já, parcerias de coprodução formalmente confirmadas.

No entanto, encontra-se em perspetiva a realização de um período complementar de residência artística, a acontecer após uma primeira fase de investigação no território, com o objetivo de aprofundar a pesquisa coletiva, consolidar as propostas performativas e fortalecer a coerência conceptual e artística do projeto.

Neste sentido, será estabelecido contacto com o Balleteatro, no Porto, instituição com a qual o coordenador do projeto, Flávio Rodrigues, mantém uma ligação artística próxima e continuada ao longo dos últimos anos. Esta possibilidade encontra-se ainda em fase de negociação informal e pretende criar condições para o desenvolvimento de momentos de encontro, partilha e experimentação entre os artistas envolvidos.

Mais do que uma estrutura de produção convencional, procura-se criar um contexto de trabalho que favoreça o diálogo entre os participantes, permitindo que as diferentes propostas cresçam em conjunto e reforcem a identidade coletiva do projeto.



Resumo preliminar das necessidades técnicas e de produção previstas

Desde a sua conceção inicial, Hidrografias procura afirmar-se como uma proposta artisticamente exigente e simultaneamente sustentável. As cinco ações performativas que integram o projeto partem de princípios de simplicidade operacional, reduzido impacto ambiental e utilização mínima de recursos técnicos e materiais.

As propostas serão desenvolvidas privilegiando a presença do corpo, a relação com o espaço e a dimensão poética da ação, evitando dispositivos complexos, consumos energéticos elevados ou estruturas de grande escala. Existe uma preocupação transversal com a sustentabilidade, a redução de desperdícios e a utilização consciente dos recursos disponíveis.

No que respeita às necessidades de produção, será importante o acompanhamento da organização na definição e viabilização do percurso entre os diferentes locais de apresentação, bem como no apoio à gestão dos fluxos de público ao longo do trajeto. Tendo em consideração a elevada afluência característica do festival, acreditamos que será possível construir um contexto de fruição atento, próximo e tranquilo, capaz de acolher a natureza sensível e contemplativa da proposta.

Numa fase preliminar, consideramos particularmente interessante que o projeto possa decorrer durante o período da manhã. Para além das condições de luz natural favoráveis às ações, este horário tende a proporcionar uma menor densidade de público e uma relação mais calma com o espaço urbano, permitindo que os participantes acompanhem o percurso de forma mais concentrada e disponível.

As necessidades técnicas específicas de cada ação serão desenvolvidas numa fase posterior de trabalho com os artistas participantes, prevendo-se, contudo, que sejam de reduzida complexidade e facilmente adaptáveis às condições do espaço público.



Cronograma de criação previsto

Final de fevereiro de 2027 – Reuniões preparatórias online

Realização de duas reuniões por videoconferência entre os artistas participantes e a coordenação do projeto. Estes encontros terão como objetivo apresentar o conceito geral de Hidrografias, debater o tema da água nas suas múltiplas dimensões poéticas, ambientais, sociais e políticas, bem como partilhar referências, metodologias e primeiras ideias para as ações performativas. Esta fase pretende criar uma base comum de reflexão antes do início do trabalho presencial.

1 a 14 de março de 2027 – Residência artística em Santa Maria da Feira (Imaginarius)

Primeira fase de investigação e criação desenvolvida no território de Santa Maria da Feira, com acolhimento da equipa do Imaginarius. Este período será dedicado ao reconhecimento dos locais de apresentação, caminhadas de observação, encontros com o território e desenvolvimento conceptual das cinco propostas performativas. Os artistas terão oportunidade de conhecer os espaços, testar possibilidades de ação, refletir sobre as especificidades do contexto local e aprofundar a relação entre o tema da água e o território.

15 de março a 11 de abril de 2027 – Trabalho autónomo de desenvolvimento

Período dedicado à maturação das propostas por parte de cada artista, incorporando os materiais, reflexões e experiências resultantes da residência realizada em Santa Maria da Feira. Durante esta fase, os participantes desenvolverão autonomamente os seus trabalhos, mantendo contacto regular com a coordenação do projeto.

Abril de 2027 (datas a definir) – Residência de consolidação artística

Encontra-se prevista uma segunda residência de trabalho coletivo, idealmente entre 12 e 19 de abril de 2027, em articulação com o Balleteatro, no Porto. Esta fase permitirá reunir novamente os cinco artistas para aprofundar a coerência global do projeto, testar o percurso performativo, partilhar metodologias de trabalho e consolidar os diferentes momentos que compõem a proposta. As datas encontram-se ainda dependentes da disponibilidade da instituição parceira.

Prevê-se igualmente que esta residência termine com uma conversa informal aberta a convidados e comunidade próxima, criando um momento de partilha sobre os processos de criação desenvolvidos.

Maio de 2027 – Ajustamentos finais e apresentação pública

Última fase de preparação, adaptação ao contexto definitivo de apresentação e estreia de Hidrografias no âmbito do Imaginarius 2027, em Santa Maria da Feira.

Este cronograma procura equilibrar momentos de investigação territorial, criação individual e trabalho coletivo, permitindo que as diferentes propostas mantenham a sua singularidade artística ao mesmo tempo que integram uma experiência comum e coesa para o público.



Sobre a repetição e adaptabilidade das ações

Temos consciência de que o modelo de apresentação do Imaginarius pressupõe frequentemente a repetição das propostas ao longo do festival. Longe de ser uma limitação, essa possibilidade surge para a equipa como uma condição particularmente estimulante.

A repetição permite observar como cada ação se transforma em contacto com diferentes públicos, diferentes condições atmosféricas e diferentes momentos do dia. Tal como a água, que nunca se apresenta exatamente da mesma forma, também estas performances assumem a mudança como parte integrante da sua natureza.

Acreditamos que cada reapresentação poderá revelar novas leituras, novas relações com o território e novas formas de atenção.

Da mesma forma, consideramos especialmente relevante a possibilidade de apresentar o projeto no contexto do Serralves em Festa. A adaptação das ações a um outro território, com características paisagísticas, ecológicas e sociais distintas, constitui uma oportunidade de aprofundar a investigação proposta por Hidrografias, colocando em evidência a capacidade da performance arte para dialogar com diferentes contextos e comunidades.

Importa ainda referir que as cinco ações são pensadas desde o início a partir de princípios de simplicidade, sustentabilidade e baixo impacto. As necessidades técnicas e materiais serão reduzidas, privilegiando recursos mínimos e soluções leves de implementação.

A própria construção de cada ação faz parte do processo criativo. Tal como a água se adapta aos lugares por onde passa, também estas propostas procuram permanecer abertas à transformação, à escuta e às especificidades dos contextos onde venham a acontecer.