2019 - rúptil | na era dos castigos incorpóreos







"E sabeis… o que é pra mim o mundo?… Este mundo: uma monstruosidade de força, sem princípio, sem fim, uma firme, brônzea grandeza de força… uma economia sem despesas e perdas, mas também sem acréscimos, ou rendimento,… mas antes como força ao mesmo tempo um e múltiplo,… eternamente mudando, eternamente recorrentes… partindo do mais simples ao mais múltiplo, do quieto, mais rígido, mais frio, ao mais ardente, mais selvagem, mais contraditório consigo mesmo, e depois outra vez… esse meu mundo dionisíaco do eternamente-criar-a-si-próprio, do eternamente destruir-a-si-próprio, sem alvo, sem vontade… Esse mundo é a vontade de potência — e nada além disso! E também vós próprios sois essa vontade de potência — e nada além disso!” – Nietzsche, Fragmento Póstumo.


PT
rúptil | na era dos castigos incorpóreos é um projeto multidisciplinar e de carácter experimental. É estudado com o propósito de ser apresentado em espaços não convencionais, site-specific e capazes de proporcionar relações variáveis e opcionais entre a obra, o perfomer e o público. 

Transeunte, contínuo, frequência, acumulação, processo e criação são algumas das palavras e ideias chave, que em si, dão lugar à acção base e primordial deste projeto, o caminhar. 

Jean-Jacques Rousseau diz: “caminhar é dar forma, seguir um percurso, modelar com os pés, se o atendermos a concepções mais antigas. Esse andar que faz caminho, vaguear poético, pode ser visto como um passeio, mas também como exploração, como viagem surrealista ou deriva situacionista”.

Dou inicio a este projeto por perscrutar mapas. Cartografar. Elaborar e planificar possíveis destinos.

As motivações, as distâncias, as zonas e as durações variam entre cada viagem/percurso. Saliento a importância das fronteiras, a audácia, zonas célebres, outros centros, periferia e lugares olvidados. 

O registo/documentação acontece tanto de uma forma imperativa como instintiva. 

rúptil | na era dos castigos incorpóreos objetiva exactamente isso, que a acção de caminhar desafie e provoque que o performer/criador/caminhante, prossiga (em ato contínuo) registando, respigando, recolhendo, colecionando matérias e materiais que à posteriori, em estúdios e/ou em lugares temporários, se apodere das "matérias-primas" e desenvolva uma serie de esculturas essências e basilares da e para a performance. 

As esculturas projectam-se como anotações, registros, poéticas de rompimentos de fronteiras, resquícios de uma espécie de cidade fantasma e obsoleta. Mapeamentos. Objetos ritualísticos, brutos. Convocações, alegorias. Manipuláveis, vulneráveis. Construções e idealizações da condição humana. Fragmentos de uma história. Símbolos. Organismos complexos e em constante mutação. 

O performer é tempo, acção e espaço. É transeunte. É compositor e maestro. É minucioso, silencioso, e arbitrariamente o nada (o vazio como superação e como desejo). É água (mar). 

rúptil | na era dos castigos incorpóreos é um projeto na sua essência processual, nómada e recoletor. Uma ode à beleza do caos que é a nossa existência. 

Para além da performance, serão desenvolvidos três projetos paralelos, uma paisagem sonora, um livro de autor e um registo de vídeo documental.


EN
"Rúptil | na era dos castigos incorpóreos" is a multidisciplinary project and of an experimental nature. It is studied for the purpose of being presented in non-conventional spaces, site-specific, and capable of variable and optional relationships between the work, perfomer and the public.

Passer-by, continuous, frequency, accumulation, process and creation are some of the key words and ideas that give rise to the basic action and primordial of this project, walking.

Jean-Jacques Rousseau says: "to walk is to give shape, to follow a course, model with our feet, if we attend to older conceptions. That walking that makes path, wandering poetic, can be seen as a ride, but also as exploration, as surreal or drifting voyage situationist ".

I begin this project by looking at maps. Cartography. To elaborate and plan possible destinations. The motivations, distances, zones and durations vary between travel / route. I emphasize the importance of borders, the audacity, notorious areas, other centers, periphery and forgotten places. Registration / documentation takes place in both ways: imperative and instinctive. 

"Rúptil | na era dos castigos incorpóreos" aims exactly that, that the action of walking challenges and causes that the performer / creator / walker proceeds (in continuous act) recording, gleaning, collecting materials and materials that posteriorly, in temporary studios and / or places, will take over the "raw materials" and develops a series of essential and basilar sculptures from and for the performance.

The sculptures are projected as notes, records, poetic disruptions of borders, remnants of a kind of city phantom and obsolete. Mappings. Ritual, crude objects. Convocations, allegories. Manipulable, vulnerable. Constructions and idealizations of the human condition. Fragments of a story. Symbols. Complex and constantly changing organisms.

The performer is time, action and space. He's a passer-by. He is a composer and conductor. He is meticulous, silent, and arbitrarily nothingness (the emptiness as overcoming and as desire). He is water (sea). "Rúptil | na era dos castigos incorpóreos" is a project in its essence procedural, nomadic and collector. An ode to the beauty of chaos that is our existence. In addition to the performance, three parallel projects will be developed, a sound landscape, an author's book and a video record documentary.



Creation and performer Flávio Rodrigues
Assistant Bruno Senune
Video Eva Ângelo



Artistic residencies and support Arte Total (Braga, PT), Balleteatro (Porto, PT),  Ilke Studio (Berlim, DE), Teatro Municipal do Porto/Festival DDD - Dias da dança (Porto, PT), Teatro Académico Gil Vicente (Coimbra, PT), Península/BRONZE (Porto Alegre, BR), Circolando (Porto, PT), DEVIR CAPA (Algarve, PT), Câmara Municipal da Moita/Centro de Experimentação Artística (Vale da Amoreira);

Financial management support Bactéria
Co production of Teatro Municipal do Porto/Festival DDD - Dias da dança (Porto) e Arte Total (Braga)
Creation financial support Fundação GDA





Agenda/schedule
- 16 a 23 de Setembro (2018) → Residência de criação, Circolando (Porto);
- 15 a 21 de Outubro (2018) → Residência de criação, DEVIR CAPA (Algarve);
- 5 a 11 de Novembro (2018) → Residência de criação, Centro de Experimentação Artística / CEA, (Moita);
- 10 de Novembro (2018) → Apresentação Pública Work in Progress, Centro de Experimentação Artística / CEA (Moita);
- 13 a 17 Novembro (2018) → Residência de criação, Sala Estúdio Campo Alegre (Porto);
- 10 a 15 de Dezembro (2018) → Residência de criação, Gnrtaion/Arte Total (Braga);
- 7 a 19 de Janeiro (2019) → Residência de criação, Balletetaro (Porto);
- 5 a 9 Fevereiro (2019) → Residência artística, Sala de Ensaios Rivoli (Porto);
- 16 de Março (2019) → Apresentação, Arte Total (Braga);
- 1 a 13 de Abril (2019) → Residência artística, Circolando (Porto);
- 4, 5 de Maio (2019) → Apresentação pública, Festival DDD (Porto);
- 19 de Junho (2019) → Apresentação pública,  Teatro Académico Gil Vicente (Coimbra);

LOGBOOK ◯



Fotografias relativas à apresentação no festival DDD, Palácio dos correios (Porto)
@JoãoPeixoto




@BrunoSenune





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