MAGMA






“É preciso não esquecer e respeitar a violência que temos. As pequenas violências nos salvam das grandes. (…) É preciso acreditar no sangue como parte importante da vida. A truculência é amor também.” Clarice Lispector


Magma é um poema sonoro, cénico e coreográfico.

Neste solo, exploro um imaginário que se sustenta nas ideias de construção, destruição, reconstrução de abrigos - cavernas, no qual a violência e o poder colapsam na solidão e no silêncio. É uma guerra sem guerra, a sós. A violência a destruir e construir o tempo, ele a des-habitar-se no percurso.

Um ser-cápsula, múltiplo, representação poética pela e com liberdade. Como nos refere Maria Tereza Sadek “O resgate do genuíno espírito revolucionário e, em consequência, do acto intencional de fundação da liberdade, é um dos desafios propostos (…). Talvez seja esta a única forma de se escapar do terror, da perda do espaço público. Afinal, a ameaça de violência e da imposição do silêncio não é um traço exclusivo da guerra”.

Em Magma, a composição sonora, cénica e coreográfica é abordada em função das analogias, interferências e conexões que se estabelecem entre os objectos artísticos. Estes, concorrem para a construção de uma narrativa poética, um acto revolucionário que em si transporta os medos e os paradoxos da existência.

Reapropriar, recuperar e resgatar são os motes exploratórios para este solo-poema, uma caminhada solitária carregada de memórias, metáforas, medo, silêncio, violência, dor, coragem, amor e resistência. A efemeridade do momento presente, a reformulação de contextos que permitam habitar um lugar, um corpo, um palco. A escuridão da fuga, a luz da mudança, o ar irrespirável que se transforma em balão de oxigénio, o desejo de existir sempre presente.



Concepção coreográfica, cénica, sonora e interpretação de Flávio Rodrigues
Interpretes no processo: Bruno Cunha, Bruno Senune, Sergio Diogo Matias, Camila Neves
Aconselhamento artístico: Carlota Lagido
Colaboração no figurino: David Pinto
Consultoria sonora: Gustavo Costa
Fotografia de cena: Rita DeLille
Registo audio-visual: Eva Ângelo
Documentação: Telma João Santos
Apoio na produção: Tânia Guerreiro | Produção Independente


Estruturas associadas ao projecto: 23 Milhas (Ilhavo), Teatro de Ferro (Porto), Festival ContraDança (Covilhã), Residências Centa (Alentejo), DevirCapa (Algarve), Eira (Lugar à Dança);
Co-produção de Teatro Nacional São João