2018 - MAGMA | No limite da selvajaria



“É preciso não esquecer e respeitar a violência que temos. As pequenas violências nos salvam das grandes. (…) É preciso acreditar no sangue como parte importante da vida. A truculência é amor também.” Clarice Lispector

PT
Magma é um poema sonoro, cénico e coreográfico.
Neste solo, exploro um imaginário que se sustenta no vazio e na impotência relacional, onde a violência e o poder colapsam na solidão e no silêncio. É uma guerra sem guerra, a sós. A violência a destruir e construir o tempo, ele a des-habitar-se no percurso. 
Um ser-cápsula, múltiplo, representação poética pela e com liberdade. Como nos refere Maria Tereza Sadek “O resgate do genuíno espírito revolucionário e, em consequência, do acto intencional de fundação da liberdade, é um dos desafios propostos (…). Talvez seja esta a única forma de se escapar do terror, da perda do espaço público. Afinal, a ameaça de violência e da imposição do silêncio não é um traço exclusivo da guerra”.
Magma é construído a partir da ausência, onde os objetos sonoros, cénicos e coreográficos se tornam presentes nas analogias, interferências e conexões estabelecidas entre si. Estes, concorrem para a construção de uma narrativa poética, um ato revolucionário que em si transporta os medos e os paradoxos da existência.
Situar, permanecer e mapear são os motes exploratórios para este solo-poema, uma caminhada solitária carregada de memórias, metáforas, medo, silêncio, violência, dor, coragem, amor, desistência e resistência. A efemeridade do momento presente, a reformulação de contextos que permitam habitar um lugar, um corpo, um palco. A escuridão da fuga, a luz da mudança, o ar irrespirável que se transforma em balão de oxigénio, o desejo de existir sempre presente.

No palco (aqui, campo representativo da falência da utopia), sou o último filho do sonho e da esperança, figura que sucede o big brother, o punk como cultura e a anarquia como ideologia.
O gesto (ou a dança) que emerge paulatinamente é doente devido ao ar violento e venenoso que é respirado na urgência que lhe é intrínseca. 

Bem-vindos à guerra niilista. Consciente. Primária. Parente direta da zona mais escura da tecnologia. E no decorrer da guerra está patente um outro medo: que a natureza decida dar de si e nos entregue de mão livre a nunca esperada catástrofe ecológica.



EN
Magma is a poem of sound, stage and choreography.
In this solo, I explore an imaginary that is based on vacuum and the non-possibility of relation, where violence and power collapse in to solitude and silence. A war without war, all by yourself. Violence destroying and building time, time losting his track.
A beeing-boll, multiple, a poetic representation for and with liberty. As it put by Maria Teresa Sadek "The ransom of the genuine revolutionary spirit, and therefore, from the intentional act of the foundation of liberty, is one of the proposed challenges(...) Maybe this is the only way to escape from terror, from the lost of public space. After all, the menace of violence and the imposition of silence is not a war exclusive distinctive feature".
Magma is built from absence, where objects (sound, stage and choreography) become present trough the analogies, interferences and connections established trough them; this way they all build an arch, a poetic narrative, a revolutionary act that carries in it the fears and paradoxes from existence.
To locate, to stand by and to design a map are the main objectivs to this expedition, this poem-solo, a lonely journey that is loaded with memories, metaphors, fear, silence, violence, courage, love, drop out and resistance. The ephemeral of the present time, the reformulation of contexts that allow us to live in a place, and a body, a stage. The darkness of the runway, the light within change, the unbreathable air that becomes a oxygen balloon, the desire to exist alway being present.

On stage (stage here, meaning a representative place or field derived from the failure of utopia), I'm the last son of dream and hope, a figure that is post big-brother, punk culture and anarchy.
The gesture (or dance) that gradually emerges is sick because of the violent and poisoned air 
breathed trough the urgente that is inherently connected to her.

Welcome to the nihilist war. Conscious. Primal. Relative to the darkest zone of technology. And trough the curse of war another fear awaits: that nature decides to give up and hand us over the – not so expected- catastrophe of the environment.

Creation and interpretation Flávio Rodrigues 
Technical design Daniel Oliveira 
Interpreter in the process Bruno Senune 
Vocal support André Santos 
Costume design Flávio Rodrigues 
Sound consultant Gustavo Costa 
Artistic advice Carlota Lagido 
Audiovisual recording Eva Ângelo 
Photograph scene Pedro Figueiredo 
Documentation Telma João Santos 
Support Útero
Associated structures 23 Milhas (Ilhavo), Teatro de Ferro (Porto), Festival ContraDança (Covilhã), Eira (Lugar à Dança), Balleteatro (Coliseu, Porto);

co-production Teatro Nacional São João


Prelúdio

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