LONELY

Flávio Rodrigues Featuring Bruno Senune














PT
Este projecto teve início em 2012 com o desejo inicial de colaboração, a que decidimos nomear de “featuring”, a partir do qual uma ideia de microgrupo emerge, como representação também de um colectivo. A paisagem é aqui mapeada a partir das poéticas associadas tanto aos índios como micro sociedades delineadas, sensíveis e frágeis, bem como aos meninos perdidos do Peter Pan na Terra do Nunca. 

Associada a esta poética está também o reverso: um mundo globalizado, onde o isolamento, o abandono, e também a sensação de presenciar a fragilidade da existência destas microsociedades, à beira do abismo (lembrando aqui os índios Guarani-Kaiowá do Brasil e a polémica sobre a sua constante perda de território e vidas numa guerra sem fim com os grandes proprietários de terras, ou fazendeiros). 

Decidimos trabalhar nos espaços intermédios de uma poética e da fragilidade da sua existência, e permitir que o equilíbrio entre eles seja o mote de pesquisa, experimentação e construção de uma partitura coreográfica. Assim, procurámos encontrar momentos de solidão acompanhada, de fragilidade forte, de união, de relação, de permissão de uma quase desistência, ou mesmo à beira de uma não vida. A partir deste momento o projecto passa a chamar-se “LONELY”. 

Lonely é assim preenchido por duas figuras que se rodeiam, se patrulham, em torno de possível suporte e queda desastrosa. Abraçam-se sobre o medo do fim. Constroem pequenas danças para um esquecimento do mundo. Inventam rituais que não chegam a invocar, evocar ou celebrar seja o que for. Lutam por desistência e por falência: a falência de um corpo pouco livre, a liberdade de criação. 

Um projecto de Bruno Senune e Flávio Rodrigues
Registo de imagem de Tiago Aguiart
Apoio de Biblioteca Almeida Garrett e Balleteatro 
Projecto criado no âmbito da exposição Sub40 
Agradecimentos: Telma João Santos, Tânia Carvalho


ENG
In 2012 we started our collaborative project named “featuring”. Throughout the development of this project we became aware of birth and rising of a micro group, which can also represent larger groups of people (the masses). The “featuring” project background reveals and resembles both the Indian communities as well as the group of children represented in the J.M. Barrie novel “Peter Pan”. By exploring these two groups we establish their differences and similarities. 

Related to this there’s the reverse: a globalised world where the isolation, the abandonment and also the feel of witness of the fragility of these micro societies existence on the brink of the abyss (remembering here the Guarani-Kaiowá Indians of Brazil and the controversy about the constantly lost of Land and Human lifes, an endless war with the big owners or farmers. 

We’ve decided to work in the mediation spaces of a poetics and the fragility of its existence allowing that the balance between them would be the motto of the research, experimentation and the construction of a coreographic score. Like that, we’re looking for loneliness accompanied moments, strong fragility, unity, relationship, permission of an almost waiver or even near of a not living life. From this point the project became to be called “LONELY”. 

So Lonely is fulfilled with two figures that surround and patrol each other, around of a possible support and a catastrophic fall. They hug each other over the fear of an ending. They built small dances towards a world oblivion. They devise rituals that they never claim, evoke or celebrate whatever that is. They fight for waiver and for failure: the failure of a barely free body, the liberty of creation.