Um coreodrama na sonosfera


Um Coreodrama Na Sonosfera

Não é necessário estarmos horas consecutivas a ouvirmos um rouxinol a cantar, para nos encantarmos com a beleza do seu canto: um chilrear isolado é suficiente; uns segundos a escutar o som das cigarras é o bastante para nos deleitarmos com tão requintada textura; assistirmos em poucos minutos a um pôr-do-sol pode ser uma experiência transcendente.

Imaginemos uma peça que não tenha início – apenas comece – e não tenha fim – somente pare. Sem clímax ou qualquer intenção de atingir um fim. Uma peça que não crie expectativas. Sem movimento ou direcção definidos.
Uma peça onde os eventos corporais e sónicos existam por eles mesmos em vez de participarem em qualquer progressão ou desejo de cadência.
O “tempo” nesta improvisação é um “tempo virtual”. Por contraste, a sequência de actuais e concretos acontecimentos, é um tempo absoluto. Assim o “tempo”, torna-se o componente essencial para a compreensão da improvisação e o veículo pelo qual esta realiza um contacto profundo com o espírito humano.
Por conseguinte, os eventos sónico/corporais que formam esta peça tornam-se num “fluxo” e não no “tempo” e a improvisação transforma-se numa encadeada série de “eventos” que contêm em si não só o “tempo” como o “modelam” lentamente.


isabel Barros, Vítor Rua e Flávio Rodrigues