2009 | Sobre (Flávio Rodrigues)

A abordagem autobiográfica é o ponto de partida para o desenvolvimento dos meus projectos de imersão criativa no sentido desta constituir um motor propulsor de relação objectual com o exterior. Assim considero-me um componente, um peão autónomo da rede social que interfere hermeticamente com o meio através de uma perspectiva intímista.
Este medium funciona desde a visão simbólica e abstracta da significação de temáticas que se desenrolam em torno de sujeitos e questões determinadas como o género, fetishismo e memória.
A mecânica é composta por um dispositivo atribuido à denominação de performativo e visual, por envolver a construção das valências cénicas do espectáculo e a materialidade inerente às artes plásticas (a composição e a decomposição como "gestos"). Por outro lado, os meus projectos de criação ganham uma capacidade sintomática de realidade pelo que é dado, exposto e confrontado com esse exterior em que me insiro.
Este ambiente é percepcionado por mim como um edifício de construção contínua, colocada em prova por um trabalho concreto entre a inter espacialidade de um público e privado (seja o espaço cénico de palco ou área pública).
Concluo que de um modo direccional cada projecto existe como um site-specific que é um convite individual ao público que o assiste, tanto como a mim como observador deslocado, trazendo-nos em conjunto para um ponto comum, o de quase voyeur de si próprio.

Flávio Rodrigues