RARA: um discurso ingénuo e utópico

 ©J M Castelo Branco

RARA: um discurso ingénuo e utópico
Flávio Rodrigues 

Esta performance dá continuidade ao trabalho a solo que tenho desenvolvido desde 2006 e que se tem centrado, quase sempre, num trabalho sobre e a partir do corpo, em projectos de natureza formalmente transdisciplinar e conceptualmente (auto)referencial e (auto)biográfica.
Neste novo trabalho, a minha relação (pessoal e social) com o quotidiano, em articulação com o estudo transversal que tenho realizado (através da dança e da performance) em torno de várias dimensões sócio-culturais do Mundo que me rodeia (e que mais directamente me afectam, como é o caso, por exemplo, da Cultura Pop) manter-se-ão como base estruturante e como ponto de partida. Conceptual e metodologicamente, porém, pretendo introduzir um elemento novo: a “voz” (e, concomitantemente, a “palavra”), enquanto suporte, mas também enquanto ideia e discurso. Ou seja, pretendo assumir esse novo elemento enquanto dispositivo comunicante primordial da performance, mas também enquanto formalização (metafórica, alegórica, quiçá contestatária) da reflexão que faço sobre o posicionamento do meu corpo (ao mesmo tempo privado/pessoal, colectivo/social) nesse tal Mundo que me rodeia. Uma performance feita de palavras, logo, feita de trocadilhos, figuras de estilo, letras de canções pop e manifestos roubados à street art. Darei corpo a uma voz que insiste na sobrevivência, que nega a falência, e que prevê uma solução, politicamente ingénua, artisticamente utópica.
A partir do atrito histórico causado pelo cruzamento entre os sintomas da actual cultura pop massificada (Nicki Minaj) e a herança da “pop art” warholiana (Velvet Underground), proponho criar um solo feito de anagramas (Nico/Icon), anacronias, interrupções e desistências, roubos assumidos e re-interpretações discretas de clássicos contemporâneos.
Uma performance íntima com potencial viral.
Uma apresentação (des)mascarada dos meus caprichos estéticos, ou uma fetichização do “handmade/do it yourself” aplicado à performance: canções compostas no meu computador, roupas costuradas na minha sala de estar, movimentos copiados de tutoriais no Youtube. RARA será, em última análise, um trabalho sobre o lugar do discurso pessoal/pessoalizado na sociedade contemporânea, ao mesmo tempo sobre e através da criação e difusão de informação, em rede, ou sem ela. Uma tentativa de virtualização do espaço teatral (palco) em direcção a essa intangibilidade do “online”. Uma performance ingénua, porque particular (como se dita pela primeira vez), e utópica, por aspirar a esse espaço inalcançável (porque inexistente): o universal.

With love: Rogério Nuno Costa, José Capela, Joana Castro, Micaela Maia, Rui Marques, Tiago Oliveira, Carla Pereira, Né Barros, Isabel Barros;
Fotografia de J M Castelo Branco
Co-produção de Balleteatro

Teaser #1  Teaser #2  Teaser #3 

Texto de Claudia Galhós, Jornal Expresso 
+ ©Carla Valquaresma

Info. Work in progress
Janeiro - trabalho em progresso (Diário de imagens) / January - work in progress (Daily Images)
Abril - 12 de Abril (©J M Castelo Branco) - Balleteatro
Junho - 17 a 23 de Junho (DeVIR - CAPa) 
Setembro - 14 de Setembro:Programação: Optimus D’Bandada (1ªAvenida, Balleteatro)
Setembro - 21 de Setembro (Ó! Galeria)
Outubro - 27 de Outubro (ContraDança / Covilhã)