Vídeo WALL 2010

Durante a pesquisa coreográfica Até ao fim / Until the end, efectuei um conjunto de entrevistas somente a mulheres. O objectivo principal, era desta forma abrir o processo criativo partindo de recolha de outras ferramentas e materiais que fossem possíveis de levar para estúdio. Estas entrevistas, que com o decorrer se transformaram numa troca de ideias enriquecedoras conversas informais, desprendiam-se ou tinham como base a simplicidade dos temas amor e fim, através de uma noção de que ambos seriam inseparáveis.

As conversas registadas foram sem dúvida documentos preponderantes para o desenvolvimento deste projecto, estabelecendo um inicio ou mesmo uma metáfora de fuga. Durante as entrevistas, o silêncio que acontecia entre cada pergunta ou após uma resposta, transformou-se no elemento mais relevante para esta criação. Esta omissão ou sensação de vazio provocaram um sentido de fim, que por vezes procurava uma continuidade. A pós a revisão de todos os registos, guardei somente as situações de silêncio que me pareciam revelar o suficiente: o não saber responder, não querer, não valer a pena, não se encontrar a expressão certa, o desistir, procurar um modo de terminar da melhor forma, a sensação de que não se foi suficientemente explícito ou o não fazer sentido algum.

Este quase encostar a parede, torna visível a metáfora de limite e dimensão entre duas pessoas que comunicam e, o que poderá existir uma questão e a receptividade de criar uma resposta.

WALL surge desta limitação de espaço. Do inicio ao fim. O que existe entre indivíduo e parede?

E a presença do silêncio como fim.